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O apreciador do vinho mudou: agora não busca só preço, mas propósito e terroir

O perfil do consumidor de vinho está mudando e essa transformação vai além do simples ato de escolher uma garrafa pela marca ou preço. Hoje, muitos consumi...

O apreciador do vinho mudou: agora não busca só preço, mas propósito e terroir
O apreciador do vinho mudou: agora não busca só preço, mas propósito e terroir (Foto: Reprodução)

O perfil do consumidor de vinho está mudando e essa transformação vai além do simples ato de escolher uma garrafa pela marca ou preço. Hoje, muitos consumidores, especialmente entre os mais jovens e com maior escolaridade, valorizam a origem do vinho e os atributos que ele carrega, como terroir, identidade cultural e práticas de produção. Uma pesquisa nacional realizada no ano passado com 1.709 consumidores brasileiros de bebidas alcoólicas, encomendada pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) e o Sebrae Nacional, revelou que 26 % dos entrevistados citaram a origem do produto como um dos principais critérios de escolha na hora de comprar um vinho. Esse interesse pela procedência e narrativa do vinho não é apenas um modismo: consumidores modernos estão cada vez mais atentos ao conceito de terroir — o conjunto de características únicas do local de produção — com valores de sustentabilidade, autenticidade e sentido de lugar. A enóloga portuguesa Filipa Pato fez dos conceitos de sustentabilidade e autenticidade sua filosofia de vida e trabalho. Seus vinhos, produzidos na região da Bairrada segundos os princípios da agricultura biodinâmica, são reconhecidos e apreciados no mundo todo. “A vinha é a nossa prioridade, e desde cedo abandonámos o uso de herbicida, em prol da saúde do solo e da biodiversidade na vinha. Na adega a intervenção é mínima: as uvas são selecionadas na vinha, a fermentação é realizada com leveduras indígenas e o envelhecimento é feito por métodos ancestrais como os lagares em madeira e ânforas. A bebida expressa a autenticidade das vinhas velhas com o objetivo de criar vinhos de terroir e ‘sem maquiagem", explica a enóloga. Os vinhos de Filipa Pato são trazidos ao Brasil pelas importadoras Porto a Porto e Casa Flora e são muito premiados. O Nossa Calcário Tinto, por exemplo, foi eleito melhor vinho do ano de Portugal pelo renomado crítico James Suckling. Produzido com a uva Baga de vinhas velhas, é um vinho sofisticado e complexo que está à venda no e-commerce da Grande Adega. BEBA MENOS, BEBA MELHOR.