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Sacola, fio e casa limpa: entenda provas que ligam suspeito ao assassinato de criança em caso reaberto depois de quase 20 anos no Paraná

Polícia prende suspeito de matar menina quase 20 anos após o crime Uma sacola plástica, fios elétricos e a limpeza da casa onde o crime pode sido cometido e...

Sacola, fio e casa limpa: entenda provas que ligam suspeito ao assassinato de criança em caso reaberto depois de quase 20 anos no Paraná
Sacola, fio e casa limpa: entenda provas que ligam suspeito ao assassinato de criança em caso reaberto depois de quase 20 anos no Paraná (Foto: Reprodução)

Polícia prende suspeito de matar menina quase 20 anos após o crime Uma sacola plástica, fios elétricos e a limpeza da casa onde o crime pode sido cometido eram algumas das provas que ligavam Martônio Alves Batista, de 55 anos, ao assassinato da menina Giovanna dos Reis Costa, em abril de 2006. Agora, com a reabertura do caso, novos indícios surgiram, sobretudo relatos de testemunhas. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp Giovanna tinha nove anos quando desapareceu, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. O corpo dela foi encontrado em um terreno baldio, envolto em sacos plásticos, amarrado com fios elétricos e com sinais de violência sexual. Em 2012, três pessoas consideradas suspeitas na época do crime foram julgadas e inocentadas por falta de provas. Depois disso o caso foi arquivado e o homicídio ficou sem solução. Porém, na quinta-feira (19), Martônio Alves Batista, de 55 anos, foi preso preventivamente pelo crime em Londrina, no norte do Paraná. O homem passou a ser investigado depois que uma ex-enteada dele o denunciou por abuso sexual e relatou que, enquanto a ameaçava, Martônio fez referência à morte de Giovanna. Ao g1, a defesa de Martônio informou que está "levantando pontos técnicos" para levá-los à Justiça. Segundo o advogado Eduardo Caldeira, trata-se de um caso com lapso temporal e que "quando se trata de prisão preventiva, a lei exige fundamentos atuais e fundamentos concretos". O g1 e a RPC tiveram acesso a documentos do inquérito reaberto após quase 20 anos, que detalham provas coletadas pela investigação. Giovanna tinha nove anos quando foi morta. Arquivo/RPC Sacola plástica Martônio, que era vizinho da vítima, chegou a ser considerado suspeito durante as investigações em 2006. As roupas de Giovanna foram localizadas em um terreno desocupado, a cerca de 50 metros de distância da casa onde morava a família da menina. O local ficava em frente à casa de Martônio e ao lado de uma casa de tarô, habitada por ciganos. A sacola em que os itens estavam tinha a identificação de um mercado que não ficava nas proximidades. Com a reabertura das investigações, a Polícia Civil localizou o antigo endereço do estabelecimento e identificou que ele ficava próximo à residência do ex-marido da então esposa de Martônio. O homem foi ouvido pela polícia e contou que tem um filho com a ex-companheira de Martônio e que, na época, ele buscava a criança quinzenalmente para que passassem o fim de semana juntos. Ao término do período, ele levava o filho de volta para a casa onde a ex-companheira vivia com Martônio. Ao ser questionado se conhecia o estabelecimento indicado na sacola, o homem confirmou e disse que costumava fazer compras no local. Explicou ainda que reutilizava as sacolas para transportar as roupas sujas do filho de volta para a casa da mãe da criança. "Ele afirma que mandava a criança de volta com objetos dentro dessa sacola desse determinado mercado. Isso é também uma evidência, somada a todo esse conjunto probatório, que indica o porquê daquela sacola de um mercado tão distante dali ir parar naquele local, com as roupas da menina Giovanna", explica a delegada Camila Cecconello. LEIA MAIS: Homem cita criança morta há 19 anos durante abuso sexual, volta a ser suspeito e acaba preso Caso foi reaberto dois meses antes de crime prescrever, diz delegada Antes de autor ser localizado, três inocentes foram réus por suposto 'ritual' Fio de energia e sumiço de colchão Policiais foram à casa dele no dia em que Giovanna desapareceu. A mulher que à época estava casada com Martônio disse aos policiais que ele estava sozinho em casa quando a criança sumiu. Os policiais encontraram um colchão com mancha de urina no imóvel e solicitaram que a mulher aguardasse a chegada da perícia. Entretanto, quando os policiais voltaram, o colchão não foi mais encontrado e a casa havia sido lavada com água sanitária. Na época, a perícia detectou que a calcinha de Giovanna também estava impregnada de urina. No quintal da casa do suspeito, os policiais encontraram um fio de energia que era semelhante ao fio que estava amarrado ao corpo da criança. Na reabertura do caso, em 2026, uma testemunha ouvida pela polícia informou que, anos depois da morte de Giovanna, Martônio "debochava" do caso e utilizava o fato para aterrorizá-la, em um contexto de violência doméstica. "Referiu-se aos policiais como 'idiotas e tapados', afirmando que 'estava tudo na frente deles'. Disse que o pedaço de fio utilizado para amarrar o corpo da vítima foi cortado de um rolo que ele possuía em casa; durante a diligência policial, ele segurou o rolo de fio (cuja extremidade/numeração se encaixava perfeitamente no pedaço usado no crime) enquanto o policial o examinava, sem nada perceber", afirma um dos documentos que compõe o inquérito policial. Novas provas e relatos em 2026 Martônio Alves Batista tem 55 anos e foi preso preventivamente em Londrina. Reprodução Com a reabertura do caso, a polícia ouviu ex-companheiras de Martônio. Algumas contaram que a mulher que era casada com ele em 2006, ano da morte de Giovanna, procurou algumas delas para fazer um alerta. Nessas conversas, ela disse que foi obrigada a limpar a casa para eliminar possíveis provas do crime. Uma das mulheres revelou à delegada que Martônio confessou como teria agido no assassinato de Giovanna, o que condiz com as provas apuradas pela perícia. "Ele relata [à ex-companheira] que, na data dos fatos, a Giovanna estava vendendo rifas, e ele falou para ela que não tinha dinheiro ali fora, só tinha dentro de casa. E falou para ela entrar na casa dele, que iria pegar o dinheiro. Ele relata para essa ex-companheira que, assim que ela [Giovanna] entrou, ele passou a sufocar e desmaiar ela e aí cometeu a violência sexual. Ele diz também que, após esse fato, ele percebeu o que tinha feito, que a menina iria reconhecê-lo. Então ele deu um jeito de ocultar o corpo, jogando o corpo numa outra área, e colocando as roupas dela em outra região para incriminar terceiros", detalha a delegada Cecconello. LEIA TAMBÉM: Hobbie: Curitibano mantém coleção rara com mais de dois mil pins olímpicos Entenda: Turistas que se colocam em risco nas Cataratas do Iguaçu podem ser multados e proibidos de visitar parques nacionais da Argentina Crime: Pai é preso por estuprar filhas de 7 e 8 anos na frente do filho de 10 Outras pessoas foram julgadas pelo crime As roupas de Giovanna foram encontradas em frente à casa de Martônio, vizinha à residência de uma casa de tarô, habitada por ciganos. Na época do crime, a investigação conduzida pela polícia considerou como suspeitas três das pessoas que viviam na casa de tarô. Em um dos documentos do inquérito feito após a reabertura do caso, uma testemunha afirma que, ao encontrar na casa objetos ligados à leitura de cartas, a investigação passou a considerar que o crime pudesse ter sido cometido em um "ritual satânico" ou de "magia negra". Na época, fotos dos três ciganos foram publicadas na internet e a delegada que trabalhou no caso afirmou que havia "fortes indicativos de que o crime estivesse ligado a algum tipo de ritual". Os acusados chegaram a ficar presos por seis anos e foram levados a júri popular em 2012. Na ocasião, tanto a acusação quanto a defesa se manifestaram pela absolvição por ausência de provas, tese que foi acolhida pelo Conselho de Sentença, resultando na absolvição dos três. O caso foi arquivado. Caso foi reaberto após denúncia feita por outra vítima de abuso sexual Momento da prisão de Martonio, em Londrina. PC-PR Uma ex-enteada de Martônio procurou a delegacia e relatou que ele cometeu abusos sexuais contra ela por anos. Ela contou que foi vítima dele dos 11 aos 14 anos, mas afirma que não contou a ninguém porque ele a ameaçava, dizendo que ela seria "a próxima Giovanna". "Nas ameaças, ele sempre cita que já havia feito muito mal para uma menina. Se ela contasse o que vinha acontecendo para alguém, ela também seria uma vítima", explicou a delegada. A delegada não informou a data em que a denúncia foi feita, mas disse que a vítima reconheceu o agressor após a prisão de Martônio em um outro caso, em 2018. O homem foi preso por ter instalado câmeras no banheiro feminino de uma pastelaria da qual era dono. Ele chegou a ficar preso pelo crime por alguns meses e depois conseguiu o direito de responder em liberdade. Ao reconhecer Martônio em reportagens da época, a ex-enteada contou à mãe sobre os abusos sofridos na infância e também procurou um advogado. Foi desta forma que ela descobriu que a Giovanna citada nas ameaças, era Giovanna dos Reis Costa. As duas mulheres, então, foram à delegacia, onde contaram que não denunciaram antes porque foram ameaçadas e fugiram dele. A mãe relatou que, na época em que se relacionava com Martônio, chegou a confrontar o homem ao perceber sinais de que a filha poderia ter sido vítima de abusos. "O Martônio, então, acaba dizendo para ela: 'você sabe aquele caso de Quatro Barras que eu disse que era testemunha? Eu não sou testemunha, eu fui o autor'", detalha a delegada Cecconello. Martônio está em prisão preventiva, suspeito de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável. Ele ficou em silêncio durante o depoimento à polícia. Ele também é investigado por crimes sexuais contra outras pessoas. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.