Obra de arte é furtada durante festa em galeria de Curitiba
Obra de arte é furtada durante festa em galeria de Curitiba Um quadro foi furtado de dentro de uma galeria de arte durante uma festa no dia 31 de dezembro, em ...
Obra de arte é furtada durante festa em galeria de Curitiba Um quadro foi furtado de dentro de uma galeria de arte durante uma festa no dia 31 de dezembro, em Curitiba. A peça "A pele da pintura (para Dora Longo Bahia)" foi feita pelo artista Gustavo Magalhães – um dos novos nomes da arte contemporânea brasileira, que já realizou exposições individuais e coletivas em diferentes estados do Brasil. Malu Meyer, proprietária da Soma Galeria, notou a ausência da pintura no sábado (3), quando foi pela primeira vez ao espaço. A pintura, que tem cerca de 22x16,5 centímetros, faz parte do acervo pessoal dela e estava disposta em uma parede junto com outros trabalhos. Segundo a proprietária da galeria, fotos tiradas durante a festa mostram que a obra esteve no local até por volta das 5h da madrugada do dia 1º, mas a pintura não aparece nos registros feitos após esse horário. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp "Na hora que eu cheguei, foi a primeira coisa que eu vi. Saí procurando por tudo, abrindo... Mas não está lá, alguém levou", conta Meyer. O artista conta que recebeu a notícia sobre o furto na última segunda-feira (5). "Foi desolador. É um sentimento de impotência muito grande, de saber que o trabalho pode estar em qualquer lugar agora. É um objeto que o valor dele é muito maior do que monetariamente falando. Para mim, como artista, é a conservação do trabalho que é muito cara, para garantir a sua longevidade, para que o trabalho consiga ultrapassar o meu tempo de vida, poder atravessar gerações e ser exposto em diversos lugares", desabafa Magalhães. Obra 'a pele da pintura (para Dora Longo Bahia)', do artista Gustavo Magalhães Rafael Dabul A proprietária da galeria registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) relatando o furto. Segundo ela, o espaço sempre recebe festas e eventos, porém, nunca havia tido um caso como esse. "Já tinham roubado bobagem, plaquinha, campainha de bar, mas nunca uma obra. E eu tinha certeza que nunca ia acontecer, porque as pessoas respeitam. O intuito de ter obra no espaço é divulgar a cultura", lamentou. Em nota, a Polícia Civil do Paraná (PC-PR) disse que investiga o furto e "segue diligências para identificar os suspeitos e esclarecer o caso". Apelo para devolução Tanto Magalhães, quanto Meyer, fazem um apelo para que quem levou a obra, a devolva, ainda que anonimamente. O artista afirma que tem receio de que a pessoa, em um momento de desespero, se desfaça da obra de alguma maneira inadequada para tentar se livrar da responsabilização pelo furto. "Eu não quero justiça, nem vingança. A única coisa que eu quero é saber que esse trabalho ainda existe, e que ele esteja seguro novamente, de uma forma em que ele pode ser conservado, cuidado como um trabalho de arte deve ser", afirma o artista. LEIA TAMBÉM: Crime filmado: 'Imaginei que fosse um assalto', diz PM de folga que ajudou a prender autor de assassinato em academia Guerra: Paranaense na Ucrânia pediu ajuda à Embaixada para retornar ao Brasil antes de morrer em combate, diz família Estradas: Vítimas de van atingida por caminhão roubado no Paraná voltavam de culto em São Paulo Obra mudou carreira artística de Gustavo Gustavo Magalhães produz no campo da pintura desde 2013 Mariana Pajuaba Natural de Goioerê, no centro-oeste do Paraná, Gustavo Magalhães produz no campo da pintura desde 2013. Para ele, a obra furtada tem um significado especial, uma vez que a considera um trabalho seminal para sua trajetória artística. Atualmente, Magalhães desenvolve uma pesquisa em torno da noção de "pele da pintura". No processo, o artista faz pinturas estruturadas sobre uma espessa camada de tinta a óleo aplicada ao suporte e apenas superficialmente seca. Uma vez concluída, a "pele pictórica" é trabalhada por meio de cortes, dobras e outras estratégias que revelam o interior ainda úmido. A peça furtada foi uma das primeiras na qual ele conseguiu usar de forma aprimorada a técnica que pesquisa há quase dois anos. "Esse trabalho foi o primeiro em que consegui destacar uma grande parte da tinta sem essa 'pele' se romper e consegui a estabilizar. Essa pele é muito fina, ela é uma camada que seca muito superficialmente. E a ideia de descapelamento, que é uma discussão que está no título do trabalho, referência à obra da artista paulistana Dora Longo Bahia, que tem uma série de trabalhos chamados 'Escalpos'", conta. A obra do artista, morador de Curitiba, é marcada por trabalhos que dialogam com temas como raça, identidade, materialidade e violência, além de discussões sobre a própria linguagem da pintura, do material e do suporte. "Então, para mim, é um trabalho muito importante, porque ele não só é importante na minha trajetória e no desenvolvimento dessa técnica de trabalho que eu venho desenvolvendo agora há quase 2 anos, também por fazer esses links com a história da arte", afirma Magalhães. LEIA MAIS SOBRE CULTURA: Quadro exposto em Curitiba usa fezes para discutir falsificação de obras de arte: 'Adoro que cada um reaja de forma distinta', diz artista Filme gravado no Paraná negociou fechamento do espaço aéreo e construiu vila do zero; veja curiosidades O dia em que Oasis tocou em 'palco desmontável em estacionamento' na Região Metropolitana de Curitiba VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.