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Celular de Nelson Tanure é apreendido no Galeão em nova fase da operação contra o Banco Master

Celular de Nelson Tanure é apreendido no Galeão em nova fase da operação contra o Banco Master O investidor e empresário Nelson Tanure teve o celular apree...

Celular de Nelson Tanure é apreendido no Galeão em nova fase da operação contra o Banco Master
Celular de Nelson Tanure é apreendido no Galeão em nova fase da operação contra o Banco Master (Foto: Reprodução)

Celular de Nelson Tanure é apreendido no Galeão em nova fase da operação contra o Banco Master O investidor e empresário Nelson Tanure teve o celular apreendido, na manhã desta quarta-feira (14), no Aeroporto do Galeão, na Zona Norte do Rio. Ele é um dos alvos da Polícia Federal (PF) na 2ª fase da Operação Compliance Zero, que mira um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.  Tanure é conhecido no mercado brasileiro por apostar em empresas que atravessam dificuldades financeiras. Ele foi abordado quando se preparava para embarcar em um voo para Curitiba.  A TV Globo apurou que o investidor faria um 'bate e volta" à capital paranaense e estava sem bagagem. Ele entregou o aparelho celular e documentos sem resistência e foi liberado. Como perdeu o voo, ainda não se sabe se ele conseguiu embarcar em outro. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Em nota, a defesa do empresário afirmou que ele não tinha vínculo societário com o banco, era apenas cliente da instituição, e que acredita que no curso do processo será demonsntrado que não houve prática ilícita nessa relação. (Veja íntegra da nota ao fim da reportagem) 👉 Contexto: O caso do Banco Master virou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional. Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco. A liquidação ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, essa pode ser a "maior fraude bancária" do país. LEIA TAMBÉM: Nova operação da PF vai reforçar decisão de liquidar o Master e mostrar que fraudes podem ser mais graves Quem é Nelson Tanure, empresário alvo de operação da PF sobre o Banco Master Quem é Tanure O empresário Nelson Tanure Alerj/Divulgação Conhecido pelo perfil polêmico e pela participação em disputas entre sócios e renegociações de dívidas de empresas em crise, Tanure construiu uma trajetória marcada pela compra e reestruturação de companhias nos setores de energia, telecomunicações, petróleo, saúde, infraestrutura e mídia. Entre as empresas nas quais possui participação estão a Light, Alliança Saúde, Gafisa, PRIO, TIM Brasil e Docas Investimentos. Também integram seu portfólio a Sequip e a Ligga, grupo de telecomunicações formado a partir da união de antigas operadoras regionais, e o fundo Saint German, acionista do Grupo Pão de Açúcar. Nascido em Salvador, em 1951, Tanure é formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Iniciou a carreira ainda jovem, trabalhando na empresa imobiliária fundada pelo pai. A partir da década de 1980, passou a investir em companhias com dificuldades financeiras, estratégia que se tornaria a principal marca de sua atuação empresarial. Um dos primeiros negócios de destaque foi a aquisição de uma participação na Sequip, empresa de engenharia ligada ao setor de petróleo. Pouco depois, assumiu o controle de estaleiros em situação falimentar, como a Emaq, no Rio de Janeiro, que foi reestruturada e posteriormente vendida. Ao longo dos anos, Tanure repetiu essa estratégia em diferentes setores, apostando na recuperação de ativos desvalorizados. Nos anos 2000, assumiu o controle e a gestão de empresas tradicionais da imprensa brasileira, como o Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil, em um período de forte crise do setor. No setor de petróleo, tornou-se um dos principais nomes ao assumir o controle da então HRT, que mais tarde deu origem à PetroRio — hoje PRIO, uma das maiores produtoras independentes de petróleo do país. No setor de telecomunicações, passou a ter presença relevante com investimentos que levaram à criação da Ligga Telecom, a partir da aquisição de ativos como a Copel Telecom e a Sercomtel. Na área da saúde, Tanure ampliou sua atuação ao assumir o controle da Alliança Saúde, grupo de medicina diagnóstica com presença nacional, que cresce por meio de aquisições regionais. No setor elétrico, também é acionista da Light, distribuidora de energia que atende parte do estado do Rio de Janeiro, além de manter investimentos recentes em ativos de infraestrutura. No último ano, um fundo ligado ao empresário participou de negociações para assumir o controle da gigante petroquímica Braskem. Tanure, no entanto, teria desistido do projeto. Filho de pai espanhol e mãe brasileira, o empresário tem quatro filhos e, além dos negócios, mantém uma forte ligação com a música clássica e a ópera. Ele também já ocupou o cargo de vice-presidente da Orquestra Sinfônica Brasileira. Apesar do perfil discreto, Tanure aparece com frequência no noticiário econômico por envolvimento em disputas societárias, processos de recuperação judicial e debates sobre governança corporativa. Sua estratégia, baseada no uso intenso de empréstimos e em reestruturações profundas, costuma gerar resultados expressivos, mas também provoca controvérsias. Outros mandados Além do empresário baiano, a PF também cumpriu mandados em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a familiares dele. A investigação detectou que havia captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes. Procurada, a defesa Vorcaro disse que ainda não teve acesso aos autos da operação e reiterou que seu cliente tem colaborado com as autoridades, além de ter "interesse no esclarecimento completo dos fatos". A defesa dos demais alvos da operação não foi localizada. Ao todo, os agentes cumprem 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que também determinou o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. Segundo a corporação, a investigação apura suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro na concessão de supostos créditos fictícios pelo Master. A 1ª fase da operação aconteceu em novembro passado e resultou em sete prisões, incluindo a de Vorcaro. Segundo estimativa da PF, as fraudes podem chegar a R$ 12 bilhões. PF faz buscas em endereços de Daniel Vorcaro e parentes dele O que dizem os citados Procurada, a defesa Vorcaro disse que ainda não teve acesso aos autos da operação e reiterou que seu cliente tem colaborado com as autoridades, além de ter "interesse no esclarecimento completo dos fatos". Os advogados de Tanure afirmaram que o empresário era apenas cliente do banco e não se envolveu em ilícitos: Na qualidade de advogado de NELSON SEQUEIROS RODRIGUEZ TANURE e diante da notícia de que o empresário foi incluído no bojo da operação de busca e apreensão deflagrada com autorização do STF, esclarece-se: 1) O empresário NELSON SEQUEIROS RODRIGUEZ TANURE, que tem décadas de experiência profissional no mercado de valores mobiliários, jamais enfrentou qualquer processo criminal em razão de suposta prática delitiva no contexto das empresas em que é ou foi acionista. 2) Nesse sentido, e não tendo qualquer relação de natureza societária com o BANCO MASTER S/A, do qual foi cliente nos últimos anos, nas mesmas condições em que é igualmente atendido por outras instituições financeiras conhecidas do mercado, o empresário NELSON SEQUEIROS RODRIGUEZ TANURE informa que a única medida que lhe foi imposta se resumiu à apreensão de seu aparelho de telefone celular, de modo que com isso o empresário tem certeza de que no decorrer das apurações promovidas pelo STF restará definitivamente demonstrada a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita oriunda dessa relação. A defesa dos demais alvos da operação não foi localizada. Banco Master: PF faz buscas em endereços de Daniel Vorcaro e parentes dele Divulgação/PF