Câmara de Curitiba abre processo que pode cassar mandato de vereador Lórens Nogueira, suspeito de 'rachadinha'
Câmara aceita processo de cassação contra vereador de Curitiba Nesta quarta-feira (27), a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) admitiu a representação por q...
Câmara aceita processo de cassação contra vereador de Curitiba Nesta quarta-feira (27), a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) admitiu a representação por quebra de decoro parlamentar apresentada contra o vereador Lórens Nogueira (PP). Este processo serve para apurar as denúncias de "rachadinha" no gabinete do parlamentar e pode, ou não, resultar na cassação do mandato do vereador. ➡️ “Rachadinha” é o termo usado para descrever um esquema ilegal em que servidores comissionados ou assessores de gabinetes públicos são obrigados a devolver parte dos salários para políticos ou superiores. A abertura do processo acontece um dia depois do parlamentar ser alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR). ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp A representação foi assinada na noite de terça-feira (27) por Guilherme Ferreira Kilter Lira (Novo), Indiara Barbosa (Novo), Amália Tortato (Novo), Éder Borges (Novo) e Bruno Secco (Novo). Além disso, foi solicitado que o Conselho de Ética peça ao Gaeco que compartilhe as provas obtidas no âmbito da investigação. Nogueira é suspeito de "rachadinha" e foi flagrado em um vídeo recebendo R$ 5,6 mil em dinheiro vivo de uma funcionária. A Justiça autorizou a gravação, a pedido do MP. Assista abaixo: Vereador Lórens Nogueira é filmado recebendo dinheiro vivo de funcionária As imagens foram exibidas no telão do plenário durante a sessão da CMC desta quarta-feira, antes da chegada de Lórens. Quando ele ocupou a cadeira, permaneceu em silêncio e também não falou com a imprensa que acompanhava a sessão. Em nota, a defesa do vereador informou que "esclarecimentos serão prestados no momento oportuno". Leia na íntegra abaixo. O PP, partido do vereador, disse que não vai se manifestar sobre o caso. Até esta terça-feira, Lórens ocupava o cargo de presidente do Conselho de Ética da Câmara de Curitiba. Após a repercussão do caso, ele pediu para deixar o Conselho. Lórens Nogueira é natural de Curitiba e foi eleito vereador da capital pela primeira vez nas eleições de 2024, com 4.727 votos. Mais de R$ 100 mil apreendidos durante operação Gaeco encontrou duas malas com grande quantia de dinheiro em operação MPPR Segundo o Gaeco, duas malas contendo grandes quantias em dinheiro foram apreendidas. Uma delas, que estava na casa do vereador, tinha cerca de R$ 100 mil. Outra, com R$ 8 mil, estava no endereço de uma assessora que não teve o nome divulgado. "No curso da investigação, que contou com autorização judicial para a realização de ação controlada, foi possível identificar repasses de valores ao vereador investigado compatíveis com a prática conhecida como rachadinha", disse o MP. Também foram apreendidos equipamentos eletrônicos e documentos que serão periciados durante a investigação. A ação também cumpriu 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara de Garantias. O MP não divulgou os nomes de todos os alvos, nem a quem pertencem os endereços. Leia também: VÍDEO: influenciador emociona ao se gravar ouvindo som das Cataratas do Iguaçu pela primeira vez com aparelho auditivo Veja: influenciadora vai parar em delegacia após pegar carona em aplicativo e polícia descobrir contrabando de canetas emagrecedoras no carro Paraná: OAB-PR pede afastamento de desembargador suspeito de ter 'vendido' decisão judicial em troca de quadriciclo Servidora prestou depoimento Servidora diz que fez empréstimo para entregar dinheiro ao vereador Lórens Nogueira A servidora que relatou ter repassado parte do salário ao vereador afirmou, em depoimento ao MP, que chegou a pedir ajuda financeira da família e até a fazer um empréstimo para conseguir entregar o dinheiro exigido pelo parlamentar. Assista acima. O g1 não vai identificar a testemunha. "O meu último salário acabou que o banco bloqueou, e eu não tinha realmente da onde tirar essa parte de dinheiro para entregar para ele. Me senti pressionada [...] Eu tinha prazo de dois dias para arrumar o valor, que era aproximadamente R$ 6 mil", contou. A servidora também disse que precisava participar de eventos promovidos pelo instituto presidido por Nogueira, inclusive aos fins de semana e feriados. “Você trabalha das 7h às 19h. [...] Não ganha meio de locomoção, vale transporte ou gasolina, alimentação. Às vezes tem uma alimentação que ele dá lá mesmo, mas muitas vezes a gente acaba tendo que tirar de recurso próprio", disse. Os investigadores apontam que o caso da servidora não era o único e suspeitam que o esquema funcionava desde o início do mandato do vereador, envolvendo todos os 12 servidores nomeados por ele. Segundo o Ministério Público, em alguns casos, os funcionários tinham que repassar mais da metade dos salários ao parlamentar. Vereador investigado por 'rachadinha' aparece contando as notas de dinheiro em vídeo. Reprodução O que diz a defesa "A defesa do vereador Lórens Nogueira informa que teve acesso aos autos do processo e iniciou a análise técnica para a adoção das medidas jurídicas cabíveis. O vereador apresentou pedido de desligamento do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, para preservar a regularidade dos procedimentos e evitar questionamento sobre a condução dos trabalhos. Sobre o pedido de cassação, a defesa ressalta que qualquer iniciativa dessa natureza deve respeitar rigorosamente o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório e a presunção de inocência. Todos os esclarecimentos serão prestados no momento oportuno, dentro dos autos e pelas vias legais adequadas". Vídeo do vereador recebendo dinheiro de funcionária foi exibido durante a sessão da Câmara nesta quarta (27) Reprodução/RPC VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.